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sexta-feira, 29 de junho de 2012

O que você quer ser quando crescer?



Ontem, no telefone, eu estava conversando com uma amiga que está na maior dúvida sobre o que cursar na faculdade. Ela, assim como eu, escolheu no vestibular, aos 18 anos, cursar Administração de Empresas e acabou trancando o curso ao ver que não era bem isso que queria. Hoje, ela é super bem sucedida em outra área, mesmo sem uma graduação, mas sonha em ter uma, e não sabe o que fazer ainda. Ela já tem 29 anos, como eu.

Eu fico aqui pensando em como é loucura você escolher aos 18, 19 anos, o que será para o resto da sua vida. A adolescência é um período em que você COMEÇA a conhecer  mundo, entra no mercado de trabalho, começa a conhecer melhor suas aptidões, o que gosta de fazer, o que deixa de gostar...é um período de CONHECIMENTO e não deveríamos tomar decisões tão importantes nesta época da vida.

Eu também comecei a cursar Administração de Empresas, e gostava do curso, até que comecei a procurar estágios e ao estagiar vi que os formados neste curso tinham atividades que eu considerava chatíssimas e nada a minha cara...Era cálculo o dia todo, planilhas e afins. Decidi abandonar o curso no segundo ano.

Entrando para Jornalismo, na primeira aula, os professores pediram para os alunos se apresentarem, e era um tal de: "Sou formado em matemática e agora estou começando Jornalismo", "Comecei Nutrição e tranquei, passei para Biologia e tranquei e agora estou tentado Jornalismo", e por aí vai. Raríssimos alunos não tinham passado já por 2 ou 3 cursos.

Na minha família mesmo, minha mãe trancou Psicologia antes de se formar em Enfermagem e meu pai trancou Engenharia faltando pouco para se formar. Uma tia começou a cursar faculdade aos 50 anos, antes não tinha feito nada, talvez por não saber o que fazer. E hoje aos 50, sabe.

No meu caso achei Jornalismo um curso muito legal, na grade estudei História, Sociologia, Técnicas de texto para diferentes tipos de mídia, muito legal mesmo, mas, ao procurar estágio, foi uma decepção atrás da outra...Lembro numa seleção que fui para estagiar na Folha Dirigida, a sala CHEIAAAA de estudantes, daí uma mulher disse: "Vou entregar a prova, quem passar vai estagiar 6 horas e ganhará uma bolsa de R$200,00"

Isso mesmo: Bolsa de Duzentos Reais! Você se mata para pagar uma faculdade e os estágios te pagam de 200 a 500 reais se for uma empresa muito da boa. Broxei. Comecei a desanimar com o mercado de trabalho em Jornalismo, voltei a trabalhar na área administrativa, que é chata, mas paga bem e apenas prossegui com o curso porque gostava das disciplinas e assim me formei. Alegria, alegria! =D

Hoje sonho em cursar Letras (Oi??) Sempre gostei muito de Inglês, adorava quando criança brincar de traduzir, achava o máximo da diversão fazer milhões de análises sintáticas no Ensino Médio (minha vida era Play Station e análises sintáticas, eu realmente adorava) e amava Literatura, sempre estava afogada em 2 ou 3 livros...Aloka!Sou estranha, mas sou legal gente, juro! Achei que em Jornalismo eu teria bastante isso e não tive, Jornalismo é mais técnica e conhecimentos gerais do que Português puro. E sinto falta das análises, estrutura de palavras, memorização e regras...Aloka de novo!Pois é, mas essa ficha do que curto mesmo só caiu depois, com a maturidade mesmo.O bom da história é que minha formação em Jornalismo só tem a somar com Letras e me capacitar mais ainda =)

Agora, nesse pensamento me veio o Theo...Imaginei ele aos 18 tendo que tomar uma decisão tão séria como essa...saber a profissão que terá para o resto da vida, para que ele vai acordar todas as manhãs e realizar por 8 horas do dia dele. Tenso!Tadinho dos adolescentes...tomando decisões cegas, sem vivência, aos 18, quando deveriam tomar, no mínimo, aos 30.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Sobre maternidade, trabalho e culpa




Quando sonhava em ter um filho, pensava que era surreal essas mães que abandonam suas carreiras para cuidar das crianças, para mim isso nada mais era que uma mulher se anulando ao se tornar mãe. Por que raios essa mulher não poderia continuar sendo ela mesma, tendo sua carreira e sendo uma boa mãe??? Por que uma coisa teria que anular outra? Por que um momento tão pleno e sonhado na vida de uma mulher teria que acabar com tudo que ela conquistou antes de se tornar mãe?

Aí engravidei e tive que ficar de repouso por algumas complicações, enquanto eu estava em casa pensava: "Assim que Theo completar 4 meses volto a trabalhar, não aguento ficar em casa." Ele nasceu e ao completar 4 meses eu não tive coragem de entrega-lo aos cuidados de ninguém e decidi cuidar dele até ter uns 2 anos e poder ir para uma creche com o mínimo de independência, mas tem sido muito difícil essa espera.

Comecei a trabalhar aos 16 anos, sempre tive meu dinheiro, mesmo que pouco e nunca fiquei mais que 1 semana desempregada. A falta que tem me feito produzir, sair de casa de manhã, trabalhar, estudar, ter meu dinheiro, comprar coisas para mim, tomar um cafezinho no fim da tarde em alguma cafeteria no centro da cidade e vir para casa de ônibus ouvindo minha músicas favoritas no mp3 tem me consumido.

Eu acordo e já penso: "Mais 1 dia cozinhando, limpando, lavando a interminável louça e tentando entreter uma criança de 8 meses que se entedia em 5 minutos."

As vezes eu simplesmente não estou afim de cantar e fazer palhaçadas para alegrar meu filho o dia inteiro, ou ver Galinha Pintadinha pela 2.87650 vez, queria poder produzir algo de "adulto". Eu vejo meu marido saindo para trabalhar e penso no quanto ele é sortudo, porque sabe que Theo estará seguro, já que sou eu que estou cuidando dele e ainda pode trabalhar o dia todo e curtir Theo nos fins de semana. Porque eu, não apenas curto meu filho, eu curto, mas também alimento, faço o entretenimento, dou banho, trocos infinitas fraldas enquanto levo chutes e por aí vai. [Antes que joguem pedras, não estou reclamando, pelo contrário, amo cuidar do meu filho porque sei que vou fazer perfeito, mas ficar restrita apenas a isso 24hs é minha dificuldade]

Ao conversar com marido simplesmente tive a resposta que eu esperava, já que meu marido é extremamente compreensivo. Ele disse que entende, que não quer me ver assim, que sou ativa e que era para eu ligar para creches e ver o preço. Simples assim!

E agora estou aqui me sentindo a pior das criaturas, a pessoa mais ruim do planeta, porque não quero trabalhar porque preciso de dinheiro, meu marido não é rico, nosso orçamento é limitado,não temos luxo, mas tem dado para levar, quero trabalhar porque sinto falta DE TRABALHAR, de acordar, me arrumar, colocar uma roupa legal, produzir dinheiro, progredir profissionalmente, crescer. É diferente das mães que deixam seus filhos em creche por necessidade. Eu não tenho essa necessidade. Me sinto trocando meu filho pelo mundo. Deixando ele com outras pessoas para ser feliz fazendo outra coisa. Que tipo de mãe faz isso. Sou abominável =(

Em creche ele ficará jogado, pois duvido que alguém se esforce para entreter um bebê, ninar com carinho para dormir, dar comida com cuidado e também tenho medo que ele pegue doenças...falando nisso, quando ele ficar doentinho será que vão medicar direito, cuidar direito??Isso se aplica a cheche e a babá, que seja...não sendo eu, será que vão fazer direito??

Escrevo enquanto escuto o choro incansável dele dentro do cercado, pois hoje, como a maioria dos dias, ele se entedia rápido e só quer colo, nada está bom..aí saio com ele e mais choro no carrinho, gritos, joga chupeta, tira as meias e joga no chão até eu desistir e tira-lo do carrinho e segura-lo no colo pela rua, o que me cansa, lógico e acaba com a graça do passeio. Ou seja, em creche vão ter paciência com meu bebê? Vão dar colo ou vão deixa-lo chorando? Babá terá paciência? Porque eu tenho e muita, sou a mãe e o amo, mas os outros terão?

Me sinto uma prisioneira, ele não tem culpa de nada, mas eu não aguento mais não trabalhar, viver enclausurada, sem poder progredir, com dias iguais, sentindo falta dos 13 anos em que trabalhei, conquistei meu espaço, estudei, progredi, tive desafios e venci. Hoje coloquei alguém no mundo que não posso simplesmente deixar de lado e seguir meus sonhos, afinal, ele é um dos meus sonhos também, alguém que veio porque eu sonhei e quero que ele seja o mais feliz possível. E agora?

Culpa. Muita culpa, porque amo meu filho demais e queria ser a melhor mãe para ele...junto com uma vontade que não some de voltar a ser uma profissional urgente.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

O poderoso chefinho

Mãe, eu mando e você obedece tá ok?
Lembro das entrevistas que eu participei quando procurava trabalho para pagar minha faculdade. A pergunta inicial sempre era: "Você sabe trabalhar sob pressão?" Eu logo respondia: "Sei. Já passei por situação X no outro emprego e blá blá blá", desenrolava já imaginando que um chefe exigente me aguardava.
Finalmente, me formei e comecei a trabalhar com meu marido e bye bye chefes exigentes. Aí engravidei e veio o Theo, o poderoso chefinho.
Theo resmunga sem parar até que eu o tire do tapetinho, se faz cocô também começa a resmungar alto para eu trocar logo a fralda, se tá perto da hora dele comer e eu atraso 10 minutos, começa o resmungo sem parar enquanto eu cozinho os legumes na velocidade 5 desesperada. E assim vou seguindo, fazendo comida logo para ele não reclamar, trocando as fraldas rapidinho, dando banho no calor para ele não ficar enjoado e "brigar" comigo, tentando cortar as unhas dele enquanto ele reclama e não para de se mover com "pulga na fralda". Fora minha lista mental caseira que fica o tempo todo repetindo: "Termino aqui e lavo roupa, depois ligo para pediatra, depois passar roupa, depois fazer comida, depois lavar louça para começar a fazer janta.."e por aí vai.
O chefinho não perdoa, ele quer ser atendido na hora e eu tenho que parar tudo.Tenso!
Como todo bom chefe, sabe motivar a "empregada" dando sorrisos banguelas sem parar quando é atendido e até gargalhadas roquinhas em retribuição =D
Na próxima entrevista, se eu ouvir o tão famoso "Você sabe trabalhar sob pressão?" nem vou ficar desenrolando, basta responder: "Sou mãe meu querido, quer pressão maior que essa?" ;)