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sábado, 4 de agosto de 2012

Procurando a creche perfeita



Por causa do comportamento do Theo ultimamente, conforme escrevi aqui, eu e marido decidimos colocar numa creche por 4 horas, para socializar e ver que existem pessoas no mundo além de mim.

Ele tem chorado demais, pois quer colo frequentemente e por mais que eu brinque com ele em VÁRIOS momentos do dia, basta eu me levantar para fazer algo que ele chora compulsivamente, grita e força vômito. #comofaz

Não estou sabendo lidar com isso, pois ele exige minha presença e se deixar ele chorar vai meia hora de choro ou mais enquanto faço uma comida, estendo uma roupa, e conto até 20 mil para não enlouquecer...

Chegamos a conclusão que deve ser porque ele não tem contato com nenhuma criança, pois não tem irmãos, não tem primos próximos, não tem adultos próximo (apenas eu o dia todo, pois não tenho outra pessoa para ajudar) e o pai apenas a noite e pouco pela manhã.

Acho normal um bebê solicitar a mãe e se apegar a ela, é normal, é lindo. O caso do Theo é outro. Ele não brinca sozinho realmente, ele não sabe esperar que eu faça algo por 5 minutos sem chorar e forçar vômito pedindo minha presença. Ele não se distrai nem mesmo com a TV mais, enquanto não paro tudo e o pego no colo. Isso não tá nada legal.

Estou então procurando creches e está sendo mais difícil que pensei, pois as que mais gosto são caríssimas e as que menos gosto cabem no bolso rsrs! Consegui uma que é meio termo, é interessante, com professoras educadas, local limpo, bonitinho, e acho que será esta...Vamos ver.

Espero que a creche meio período traga melhoras para ele, o faça feliz, pois eu noto muito que a falta de socialização com outras pessoas faz dele muito tímido e medroso. Nas festinhas ele nunca brinca, só fica no meu colo agarrado e mal vai o colo do pai.

Espero, do fundo do meu coração, que a creche faça bem a ele e a mim também, pois ando muito nervosa por não saber lidar com ele grudado nas minhas perna o dia inteiro, a cada minuto, e isso não é exagero...é complicado lidar com isso.É desafiador.É tenso.É horrível.

Estou muito esperançosa, mas ao mesmo tempo triste, pois não queria que precisasse de creche tão cedo, só queria coloca-lo em escolas falando, mas já vi que não adianta idealizarmos, a maternidade foge das mãos e as vezes temos que mudar os planos para ver se beneficia a criança, mesmo que isso te deixe, a princípio mal. Muito mal.

Já sei que na primeira doencinha de creche sentirei uma culpa horrível, já sei que as 4 horas que ele tiver sob o cuidado de estranhos vou ficar MUITO preocupada, mas sei também que tenho que tentar. Infelizmente ou felizmente. Vamos ver no que dá.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Ser perfeito não é humano


Depois de escrever meu post tristonho sobre minha falta de paciência nas minhas noites insones com Theo, e pensar em mudar o nome do blog para Agridoce Rotina Materna rsrs, fui lendo os comentários das amigas e cada um deles ia me confortando.

Inclusive, eu queria agradecer MUITO a cada uma de vocês, que vem aqui e me deixam um pouco do seu tempo comentando, pois esses comentários confortam demais e isso é muito bom, me faz muito bem. Na verdade, é libertador não se sentir a única passando por dificuldades.

Daí a semana entrou e me deparo com um post da Rose Misceno do Vida de Maejestade [Recomendo!], onde ela escreve sobre o assunto e cita o filme  Sex And The City, postando um diálogo entre Charlotte e Miranda. Este post  me caiu tão bem que merece estar documentado para que eu releia nas noites de loucura e, principalmente, para compartilhar com as mães leitoras que passam pelos mesmos problemas.

Já dizia o meu amado House**: "Ser perfeito não é humano". Leiam se não tenho razão:

"Charlotte e Miranda se encontram no bar do quarto do hotel luxuoso onde elas e mais a Carrie e a samantha estão hospedadas (leia a sinopse do filme aqui ) Iniciam uma conversa "despretenciosa" regada a uns goles de bebida:

Miranda: Ser mãe é cansativo...

Charlote: É... mas o lado bom vale a pena! 
Miranda: Ok, estamos a 10.780 km de todo mundo. Pode me dizer. Também sou mãe...
Charlote: Dizer o quê?
Miranda: Tudo o que você pensa, mas não se permite dizer em voz alta. Está bem, eu falo primeiro. Por mais que eu ame o Brady e eu o amo imensamente, ser mãe não é o suficiente. Sinto falta do meu emprego... Não vai me deixar falando aqui sozinha, me sentindo a pior mãe do mundo, vai?
Charlote: Bem, eu amo as minhas meninas... (aqui já comecei a chorar horrores...)
Miranda: Sei disso.
Charlote: Mas estou gostando de não tê-las por perto. Eu precisava de um descanso... (toda mãe precisa e isso não quer dizer que não ame os filhos, certo?)
Miranda: Precisava sim.
Charlote: Rose chora o dia inteiro, todo o dia. (deve ser mal do nome) Está me enlouquecendo.
Miranda: Venho observando você há meses, não sei como aguenta!
Charlote: Às vezes, entro no quarto e fecho a porta e deixo que ela grite. Isso não é horrivel? (Sim, mas já fiz também, me tranquei no banheiro) 
Miranda: Não! É sobrevivência!
Charlote: E quer saber mais? Eu me sinto culpada. Me sinto tão culpada porque sempre rezei tanto para ter uma família e agora tenho essas duas lindas meninas. (chorando litros aqui!!)
Miranda: E?
Charllote: Elas estão me enlouquecendo! E sinto que estou fracassando. Sinto que estou fracassando o tempo todo!
Miranda: Você não está fracassando. Ser mãe é difícil.
Charlotte: Meus Deus, é tão difícil! (chorando e rindo ao mesmo tempo) E tenho ajuda em tempo integral. Como fazem as mulheres que não têm?
Miranda: Não faço a menor ideia! A elas!
Charlotte: A elas!"

** Episódio de House em que ele descobre que um paciente, que nunca se irrita com nada e mantem seu bom humor, tem Doença de Chagas.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Sobre maternidade, trabalho e culpa




Quando sonhava em ter um filho, pensava que era surreal essas mães que abandonam suas carreiras para cuidar das crianças, para mim isso nada mais era que uma mulher se anulando ao se tornar mãe. Por que raios essa mulher não poderia continuar sendo ela mesma, tendo sua carreira e sendo uma boa mãe??? Por que uma coisa teria que anular outra? Por que um momento tão pleno e sonhado na vida de uma mulher teria que acabar com tudo que ela conquistou antes de se tornar mãe?

Aí engravidei e tive que ficar de repouso por algumas complicações, enquanto eu estava em casa pensava: "Assim que Theo completar 4 meses volto a trabalhar, não aguento ficar em casa." Ele nasceu e ao completar 4 meses eu não tive coragem de entrega-lo aos cuidados de ninguém e decidi cuidar dele até ter uns 2 anos e poder ir para uma creche com o mínimo de independência, mas tem sido muito difícil essa espera.

Comecei a trabalhar aos 16 anos, sempre tive meu dinheiro, mesmo que pouco e nunca fiquei mais que 1 semana desempregada. A falta que tem me feito produzir, sair de casa de manhã, trabalhar, estudar, ter meu dinheiro, comprar coisas para mim, tomar um cafezinho no fim da tarde em alguma cafeteria no centro da cidade e vir para casa de ônibus ouvindo minha músicas favoritas no mp3 tem me consumido.

Eu acordo e já penso: "Mais 1 dia cozinhando, limpando, lavando a interminável louça e tentando entreter uma criança de 8 meses que se entedia em 5 minutos."

As vezes eu simplesmente não estou afim de cantar e fazer palhaçadas para alegrar meu filho o dia inteiro, ou ver Galinha Pintadinha pela 2.87650 vez, queria poder produzir algo de "adulto". Eu vejo meu marido saindo para trabalhar e penso no quanto ele é sortudo, porque sabe que Theo estará seguro, já que sou eu que estou cuidando dele e ainda pode trabalhar o dia todo e curtir Theo nos fins de semana. Porque eu, não apenas curto meu filho, eu curto, mas também alimento, faço o entretenimento, dou banho, trocos infinitas fraldas enquanto levo chutes e por aí vai. [Antes que joguem pedras, não estou reclamando, pelo contrário, amo cuidar do meu filho porque sei que vou fazer perfeito, mas ficar restrita apenas a isso 24hs é minha dificuldade]

Ao conversar com marido simplesmente tive a resposta que eu esperava, já que meu marido é extremamente compreensivo. Ele disse que entende, que não quer me ver assim, que sou ativa e que era para eu ligar para creches e ver o preço. Simples assim!

E agora estou aqui me sentindo a pior das criaturas, a pessoa mais ruim do planeta, porque não quero trabalhar porque preciso de dinheiro, meu marido não é rico, nosso orçamento é limitado,não temos luxo, mas tem dado para levar, quero trabalhar porque sinto falta DE TRABALHAR, de acordar, me arrumar, colocar uma roupa legal, produzir dinheiro, progredir profissionalmente, crescer. É diferente das mães que deixam seus filhos em creche por necessidade. Eu não tenho essa necessidade. Me sinto trocando meu filho pelo mundo. Deixando ele com outras pessoas para ser feliz fazendo outra coisa. Que tipo de mãe faz isso. Sou abominável =(

Em creche ele ficará jogado, pois duvido que alguém se esforce para entreter um bebê, ninar com carinho para dormir, dar comida com cuidado e também tenho medo que ele pegue doenças...falando nisso, quando ele ficar doentinho será que vão medicar direito, cuidar direito??Isso se aplica a cheche e a babá, que seja...não sendo eu, será que vão fazer direito??

Escrevo enquanto escuto o choro incansável dele dentro do cercado, pois hoje, como a maioria dos dias, ele se entedia rápido e só quer colo, nada está bom..aí saio com ele e mais choro no carrinho, gritos, joga chupeta, tira as meias e joga no chão até eu desistir e tira-lo do carrinho e segura-lo no colo pela rua, o que me cansa, lógico e acaba com a graça do passeio. Ou seja, em creche vão ter paciência com meu bebê? Vão dar colo ou vão deixa-lo chorando? Babá terá paciência? Porque eu tenho e muita, sou a mãe e o amo, mas os outros terão?

Me sinto uma prisioneira, ele não tem culpa de nada, mas eu não aguento mais não trabalhar, viver enclausurada, sem poder progredir, com dias iguais, sentindo falta dos 13 anos em que trabalhei, conquistei meu espaço, estudei, progredi, tive desafios e venci. Hoje coloquei alguém no mundo que não posso simplesmente deixar de lado e seguir meus sonhos, afinal, ele é um dos meus sonhos também, alguém que veio porque eu sonhei e quero que ele seja o mais feliz possível. E agora?

Culpa. Muita culpa, porque amo meu filho demais e queria ser a melhor mãe para ele...junto com uma vontade que não some de voltar a ser uma profissional urgente.